O teclado do iPhone possui uma lista interna com mais de 100 mil palavras e expressões que o iOS evita sugerir automaticamente.
A lista inclui desde palavrões até expressões políticas e referências a figuras públicas.
A Apple afirma que o objetivo é evitar sugestões automáticas de palavras que possam ser consideradas ofensivas ou inadequadas.
O teclado do iPhone mantém uma lista interna com mais de 100 mil palavras e expressões que o iOS evita sugerir automaticamente. O mecanismo afeta recursos como o texto preditivo e a digitação por gestos, incluindo desde palavrões até expressões políticas.
A lista foi descoberta pelo pesquisador Derik Kauffman, fundador da startup Blacklight, no código do teclado no iOS 26.3. Segundo a Reuters, os usuários podem escrever textos com as expressões normalmente, mas o sistema não as sugerirá automaticamente e nem auxiliará a pessoa a escrevê-las.
Lista vai de palavrões a políticos
Se você usa o aparelho da Apple, pode ter notado que o teclado não corrige palavrões e outros conteúdos ofensivos (de cunho sexual, por exemplo), tampouco reconhece a escrita desses termos na digitação por gestos. Mas a lista parece ir muito além disso, incluindo frases políticas e referências a figuras públicas.
Entre os exemplos encontrados, em inglês, estão “dictator Trump”, em referência ao presidente dos Estados Unidos. O mesmo vale para políticos referenciados em híndi, como o primeiro-ministro Narendra Modi, da Índia. O teclado também rejeita frases conspiracionistas, como “Covid was a hoax” (a Covid foi uma farsa, em tradução livre).
Das 1.119 palavras e termos “censurados”, 266 são em português — variações de palavrões e xingamentos que nossa língua provê, em grande parte. Entretanto, o teclado não sugere frases como “odeia negra” e “os nazi são os melhores”.
Kauffman encontrou inconsistências entre o que o teclado aparenta considerar ofensivo. Segundo os testes, “read smut” (leia fanfics sexuais) podia ser escrito com a ferramenta de deslizar, enquanto “read gay smut” (ler conteúdo erótico gay) era alterado.
IA ajudou a descobrir código
O pesquisador começou a investigar o comportamento do teclado em setembro, depois de perceber que determinadas palavras eram frequentemente rejeitadas ou alteradas durante a digitação por gestos. Para localizar a origem das restrições, ele usou ferramentas como Codex, da OpenAI, e o Claude Code, da Anthropic.
A revisão pelas IAs descobriu a lista armazenada em uma tabela hash dentro do iOS e conseguiu convertê-la novamente para texto. De acordo com a Reuters, achados anteriores sugerem que esse tipo de filtragem já faz parte do teclado do iOS há algum tempo.
Objetivo é evitar sugestões inadequadas
Em resposta à Reuters, a Apple afirmou que o teclado foi desenvolvido para evitar sugestões automáticas de palavras que possam ser consideradas ofensivas ou inadequadas. A empresa ressalta que o recurso não impede o usuário de escrever as expressões manualmente, e reforça que é possível ignorar correções apresentadas pelo teclado.
A Apple não detalhou os critérios utilizados para incluir expressões políticas na lista nem confirmou quantos termos fazem parte do banco de dados.
