h1
Mundo· BBC News Brasil

O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar o futuro de Trump?

Os eleitores dos EUA irão às urnas na terça-feira em uma votação que poderá ter grande impacto na presidência de Donald Trump.

BBC News Brasil · há cerca de 5 horas

O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar o futuro de Trump?

Published 31 outubro 2026 Atualizado Há 5 horas

Faltam poucos dias para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, quando os eleitores participarão de uma votação que poderá ter grande impacto no restante do mandato do presidente Donald Trump — previsto para terminar em janeiro de 2029.

📲 Novo app da BBC News Brasil: receba nossos alertas, vídeos e análises. Baixe aqui na Google Play Store (Android) e aqui na App Store (iOS).

O que são as midterms?

Em 3 de novembro, os americanos escolherão os membros do Congresso, composto por duas casas: a Câmara dos Representantes e o Senado.

O Election Lab da Universidade da Flórida está monitorando o número de pessoas que votaram antecipadamente e apontou, nesta segunda-feira (2/11), que 54,5 milhões de pessoas já votaram.

Desse total, 30 milhões votaram presencialmente, enquanto 24 milhões enviaram seus votos por correio. A maioria dos eleitores que participaram da votação antecipada tinha mais de 41 anos.

As eleições são realizadas a cada dois anos e, quando ocorrem no meio do mandato de quatro anos do presidente, são chamadas de eleições de meio de mandato.

Uma das principais tarefas do Congresso é criar e aprovar leis federais, que são aplicadas em todo o país.

O resultado das eleições de meio de mandato decidirá qual partido político — os republicanos da sigla de Trump ou os democratas, da oposição — controlará o Congresso e quão fácil será para o presidente executar seus planos.

Os resultados também são vistos como uma métrica da satisfação da população americana com o desempenho do presidente até o momento.

Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula

Nove pessoas morrem em acidente de avião na Flórida; veja o que se sabe

Filha de brasileiros era copilota do avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos; o que se sabe

Eleições nos EUA: pesquisas indicam vantagem dos democratas, mas estão corretas?

Quem será eleito?

Todos os 435 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, serão eleitos. Eles cumprem mandatos fixos de dois anos. A Câmara é geralmente o local onde as propostas de lei são apresentadas e debatidas.

Enquanto isso, 35 das 100 cadeiras do Senado, a câmara alta, também estarão em disputa. Os senadores têm mandatos de seis anos. Entre outras funções, eles aprovam ou vetam projetos de lei que vieram da Câmara dos Deputados.

No mesmo dia, eleitores em grande parte dos EUA também escolherão políticos em nível estadual. As eleições para governador na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan estão entre as que despertam mais atenção.

Michigan é, inclusive, uma das poucas disputas decisivas que, em última análise, determinarão o controle do Senado.

A cadeira é ocupada atualmente por um democrata que está se aposentando; a última vez que um republicano foi eleito para essa vaga no Senado foi em 1994. Contudo, em eleições presidenciais, o estado é um dos campos de batalha fundamentais — Michigan votou em Joe Biden em 2020, mas em Donald Trump em 2024.

Quais pautas estão sendo mais debatidas nessa eleição?

A economia dos EUA está na mente de muitos americanos que enfrentam os preços dos combustíveis, alimentos, cuidados com a saúde e com a habitação.

A inflação permanece acima da meta almejada pelo Federal Reserve (o banco central) dos EUA, em parte devido à guerra que os EUA e Israel iniciaram com o Irã em fevereiro.

Os democratas argumentam que as tarifas impostas por Trump sobre vários países também aumentaram os preços para os americanos.

A imigração é outra questão crucial. Os republicanos afirmam que Trump cumpriu uma importante promessa de campanha de 2024 ao reforçar a segurança na fronteira e lançar uma forte repressão — e frequentemente controversa — à imigração ilegal.

A preocupação com a inteligência artificial (IA) tornou-se mais urgente nas últimas semanas. Políticos de alto escalão de ambos os partidos concordaram com a necessidade de regulamentá-la, opondo-se a Trump, que rejeita propostas de leis para controlar o desenvolvimento dessa tecnologia.

O que está em jogo?

O legislativo é um dos três poderes do Estado, juntamente com o Executivo (representado a nível federal pela presidência) e o Judiciário. O controle sobre ele é importante para a elaboração de leis.

Tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado são atualmente controlados pelo Partido Republicano. Mas sua maioria é pequena. Eles têm 218 cadeiras na Câmara, que é o número mínimo necessário para controlá-la, mais um independente que vota com eles.

No Senado, eles têm 53 cadeiras. A câmara alta só mudará de mãos se os democratas conquistarem pelo menos 51 cadeiras, o que superaria o voto de desempate do vice-presidente — atualmente republicano — caso ambos os lados obtenham 50 cadeiras.

Se os democratas da oposição recuperarem o controle de pelo menos uma das casas legislativas, terão o poder de apresentar suas próprias leis para votação.

Trump afirmou que se os democratas assumirem o Congresso, ele se tornará o "Sr. Veto".

Em uma entrevista transmitida no domingo pela Fox News, Trump afirmou que vetaria as propostas legislativas inicialmente, para só então começar a negociar acordos.

"Não seria a primeira vez. Você tem um presidente, mas não tem a Câmara nem o Senado. Eles enviam projetos, você os veta e, depois de um ou dois meses com tudo sendo vetado... eles acabam vindo negociar um acordo", disse ele.

Ainda assim, o presidente mantém o otimismo quanto às chances de seu partido nas eleições de meio de mandato, acrescentando: "Esperamos que não precisemos nos preocupar com isso."

Trump tem instado repetidamente os eleitores a agirem como se o seu nome estivesse na cédula nas eleições de meio de mandato. Ele espera que isso — somado à sua intensa atividade de campanha — convença seus apoiadores a comparecerem às urnas.

Muitos de seus seguidores fiéis do movimento MAGA costumam votar nas eleições presidenciais, mas não se dão ao trabalho de participar das eleições de meio de mandato.

No entanto, ao se colocar no centro da campanha do Partido Republicano, o presidente Trump também corre o risco de levar às urnas eleitores que não gostam dele nem de suas políticas — eleitores que votarão contra os seus candidatos.

As pesquisas indicam um aumento no apoio aos democratas e perdas significativas para os republicanos. Contudo, como no passado as pesquisas subestimaram o apoio a Trump, é possível que não estejam corretas este ano.

"Se não vencermos as eleições de meio de mandato, vão me culpar", disse Trump em um comício no Tennessee, no mês passado.

Onde a disputa será mais acirrada?

No passado, os eleitores tendiam a "punir" o partido do presidente, votando contra ele.

Pesquisas recentes mostram que Trump tem um baixo índice de aprovação. Ele iniciou seu segundo mandato com aprovação de pouco mais de 50% da população, segundo o site de pesquisas Silver Bulletin. No início de outubro, esse índice era mais baixo, em torno de 37%. Enquanto isso, 61% o desaprovavam.

Mas nem todas as cadeiras em cada casa legislativa serão de fato disputadas. Algumas têm apostas seguras, em alguns casos para republicanos e em outros para democratas.

A CBS News, parceira da BBC nos EUA, identificou dez disputas para o Senado que merecem atenção, em estados como Iowa e New Hampshire; e 42 disputas para a Câmara dos Representantes, em estados como Arizona e Ohio.

A votação deste ano é mais imprevisível devido a uma disputa entre os dois partidos sobre a forma como os distritos eleitorais na Câmara dos Representantes são definidos.

Os republicanos tentaram obter vantagem criando mapas eleitorais mais favoráveis em certos estados, e os democratas seguiram o exemplo.

O que essa eleição significa para Trump?

As midterms serão um último veredito dos eleitores sobre o governo Trump antes de seu fim, explica Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte.

Se os democratas vencerem a Câmara ou o Senado, Trump terá dificuldades para aprovar qualquer lei no Congresso — embora o republicano já tenha demonstrado a disposição de promover sua agenda através de ordens executivas, que não precisam do Congresso.

Mas o controle democrata de qualquer uma das casas legislativas facilitaria o uso de comissões para investigar aspectos do mandato de Trump. Parlamentares poderiam convocar funcionários públicos para depor e solicitar documentos.

Poderão ser alvo de escrutínio acusações de corrupção, o polêmico novo salão de baile da Casa Branca e as táticas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

Há também um debate dentro do Partido Democrata sobre se deve ou não iniciar um processo de impeachment contra Trump, apresentando acusações no Congresso que serviriam de base para um julgamento político, e não criminal.

Se conseguirem controle do Senado, os democratas poderiam dificultar a nomeação por Trump de juízes e cargos de alto escalão, incluindo para a Suprema Corte.

Mas, se o Partido Republicano mantiver o controle do Congresso, Trump poderá dar continuidade, com mais facilidade, aos seus planos no restante do seu mandato.

O que a eleição pode indicar sobre 2028?

O nome do presidente não consta na cédula eleitoral durante as eleições de meio de mandato, embora Trump tenha pedido que os eleitores finjam que consta, como forma de endossar seu governo até o momento.

Independentemente do resultado, é provável que os analistas o utilizem como termômetro de como os eleitores se sentem em relação aos rumos do país sob a liderança de Trump.

O republicano não pode se candidatar à presidência pela terceira vez, já que, segundo a Constituição, uma pessoa não pode exercer mais do que dois mandatos de presidente nos EUA.

Após as eleições de meio de mandato, podemos esperar que comecem as especulações sobre quem poderá ser seu sucessor como candidato republicano à presidência em 2028 — e quem poderá competir contra ele pelo Partido Democrata.

*Com reportagem de Deirdre Finnerty

Descubra mais

Principais notícias

Filha de brasileiros era copilota do avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos; o que se sabe Há 25 minutos

Nove pessoas morrem em acidente de avião na Flórida; veja o que se sabe Há 1 hora

Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula Há 9 horas

Os ataques cibernéticos a aplicativos de alertas de emergência na Rússia e Ucrânia Há 8 horas

BBC entra na Faixa de Gaza: campos infestados de ratos e feridas que não cicatrizam Há 8 horas

Os eleitores hispânicos ajudaram a eleger Trump. Isso pode estar mudando agora no Texas? 1 novembro 2026

Como a falta de perspectiva de futuro alimenta protestos de jovens na Europa 1 novembro 2026

Em áudio | 'Não reconheci meu namorado quando o encontrei no supermercado': como descobri que tinha cegueira facial Há 5 horas

Mais clicadas

1 Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula

2 Nove pessoas morrem em acidente de avião na Flórida; veja o que se sabe

3 Filha de brasileiros era copilota do avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos; o que se sabe

4 Eleições nos EUA: pesquisas indicam vantagem dos democratas, mas estão corretas?

5 Atleta que teve incontinência fecal em prova de Hyrox fala sobre trauma e pede desculpas: 'Coloquei outras pessoas em risco'

6 O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar o futuro de Trump?

7 Eleições nos EUA: como fortalecimento do socialismo criou dilema para os democratas

8 Como um piloto de 20 anos, em sua segunda temporada na F1, fez história como o mais jovem campeão do esporte

9 Por que os alemães não pagam rodadas de cerveja para a mesa toda

10 O que quebra de sigilo de documentos sobre morte do 1º presidente eleito pós-ditadura pode revelar

Compartilhe

Link copiado

Fonte: BBC News Brasil