Published 30 outubro 2026 Atualizado Há 9 horas
Fontes do governo brasileiro disseram à BBC News Brasil em caráter reservado que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) convocou a encarregada de negócios da Argentina, Emilia Cortés, para cobrar explicações sobre a passagem do senador e ex-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pelo território argentino antes de viajar para os Estados Unidos, na terça-feira (27/10).
A informação havia sido revelada inicialmente pelo portal UOL e foi confirmada pela BBC News Brasil.
Nas suas redes sociais, no entanto, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, contestou a informação e disse que não teria havido pedido de explicações.
Na linguagem diplomática, a convocação de um diplomata para prestar esclarecimentos é uma demonstração de reprovação a alguma conduta adotada pelo país do diplomata convocado.
Segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil, a convocação da diplomata argentina aconteceu na quinta-feira.
Cortés é a mais alta diplomata argentina atuando no Brasil desde agosto, quando o governo argentino convocou de volta a Buenos Aires o então embaixador no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi em meio a uma crise diplomática entre os dois países.
Ainda de acordo com os relatos obtidos pela BBC News Brasil, Cortés foi recebida pelo diretor do departamento de Mercosul do MRE, o diplomata João Marcelo Galvão de Queiroz.
Segundo as fontes ouvidas pela BBC News Brasil, a reunião foi curta e o diplomata brasileiro solicitou informações sobre o papel do governo argentino na viagem de Flávio aos EUA.
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Flávio deixou o país dois dias depois de perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele descumpriu uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que o obrigou a entregar passaportes e a deixar o país, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado e seu amigo pessoal Willer Tomaz.
Na segunda-feira (26/10), Flávio fez uma postagem em suas redes sociais dizendo que não tinha planos de deixar o país, mas no dia seguinte, ele, sua mulher e duas filhas embarcaram em um jato privado de um aeroporto de Puerto Iguazu, na Argentina, e desembarcaram no dia seguinte em Miami. Os quatro tiveram o ingresso autorizado nos Estados Unidos.
A BBC News Brasil também apurou que o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou rapidamente com Marco Rubio, o secretário de Estado americano, em evento nesta sexta-feira, mas não trataram de temas específicos.
Ambos compareceram a um evento com chanceleres em Atlanta, nos EUA.
Rubio e Vieira acertaram um encontro antes da cúpula do G20, em meados de dezembro, na Flórida, para repassar a agenda bilateral. Data e local do encontro ainda serão definidos.
Nos últimos dias, um diplomata brasileiro ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado disse que a possível participação do governo argentino na viagem de Flávio para fora do Brasil seria interpretada como mais um episódio de deterioração das relações entre os dois países.
Ainda nesta semana, o jornal argentino Clarín divulgou a informação de que um homem próximo ao presidente da Argentina, Javier Milei, Santiago Caputo, teria participado do plano para tirar Flávio do Brasil e levá-lo aos Estados Unidos. Caputo não tem cargo formal no governo do país vizinho, mas é apontado pela mídia argentina com alguém com amplo acesso a Milei.
Em uma carta publicada por Flávio Bolsonaro após sua chegada a Miami, ele agradeceu a Javier Milei e ao presidente dos EUA, Donald Trump.
"Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país", disse.
Apesar de integrantes do governo brasileiro confirmarem a convocação da diplomata argentina para cobrar explicações sobre a saída de Flávio pelo território argentino, o governo da argentina negou a existência da reunião.
Em uma postagem no X (antigo Twitter), o ministro Pablo Quirno rebateu reportagem do jornal La Nacion sobre o assunto.
"Falso. Não houve nenhum pedido de explicações", disse Quirno em sua postagem.
A BBC News Brasil enviou questionamentos sobre a convocação da diplomata argentina, mas não obteve respostas.
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