Os títulos do Tesouro Direto terminam a semana seguinte ao segundo turno da eleição presidencial no vermelho. O movimento desfez o rali da semana do primeiro turno e levou as taxas a patamares acima dos registrados antes da votação de 4 de outubro. A virada começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25), quando as taxas dos títulos públicos dispararam.
Levantamento do InfoMoney com dados do Tesouro Nacional compara nove títulos prefixados e atrelados à inflação entre o fechamento da sexta-feira (23) e o desta sexta (30). O Tesouro IPCA+ 2050 teve a maior desvalorização, de 17,19%. A taxa do papel subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano.
Nos prefixados, as taxas avançaram entre 2,20 e 2,47 pontos percentuais na semana, com o Prefixado 2032 indo de 12,89% para 15,36%. Nos títulos atrelados à inflação, as altas ficaram entre 0,86 e 1,17 ponto.
Com isso, as taxas ficam bem acima das registradas no fim da semana do primeiro turno. No fechamento oficial do Tesouro Direto em 9 de outubro, os títulos atrelados à inflação pagavam entre IPCA + 6,55% e IPCA + 6,68% ao ano, e os prefixados, entre 12,31% e 12,51%. Nesta sexta, as faixas são de IPCA + 7,28% a IPCA + 7,89% e de 14,96% a 15,36%, respectivamente.
O nível atual supera inclusive o de antes da eleição. Na manhã de 2 de outubro, sexta-feira anterior ao primeiro turno, o Prefixado 2032 pagava 14,15% e o IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%.
O resultado, porém, mede a desvalorização de quem já tinha os títulos antes do segundo turno e só se concretiza se o papel for vendido antes do vencimento. Quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra. Para quem comprou numa sexta e vendeu na seguinte, a perda seria maior, porque a conta incluiria um preço de compra mais alto que o de venda. Por outro lado, não haveria cobrança de IOF nem de Imposto de Renda, que incidem apenas sobre ganhos.
Nos títulos públicos, preço e taxa andam em sentidos opostos, e quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a cada variação da taxa. Por isso o IPCA+ 2050 lidera as perdas mesmo com a menor alta de taxa entre os nove títulos. Já o Prefixado 2029, de prazo mais curto, recua 3,83% apesar de uma alta de 2,20 pontos.
A segunda-feira concentrou a maior parte do movimento. A plataforma do Tesouro Direto ficou fechada pela manhã por causa da volatilidade nas taxas. Ela abriu às 12h13, foi suspensa às 16h25 e voltou a operar só no fechamento. Na abertura, o Prefixado 2032 chegou a 15,78%, a maior taxa da série do título, iniciada em fevereiro de 2025, e o IPCA+ 2032 foi a IPCA + 8,10%.
Pelo histórico do Tesouro Direto, a alta de 2,88 pontos dos prefixados naquele dia é a maior desde dezembro de 2004, na comparação entre taxas de abertura. Ela supera a registrada em 12 de março de 2020, no início da pandemia.
O Tesouro Nacional reagiu cancelando os leilões de NTN-B, LFT e prefixados previstos para a semana. Também recomprou títulos, em operações que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e na terça.
Depois do choque inicial, os prefixados recuaram ligeiramente em relação ao fechamento de segunda, enquanto os títulos IPCA+ mais longos continuaram subindo. A taxa do IPCA+ 2050, que havia terminado o dia 26 em IPCA + 7,03%, encerrou a semana em IPCA + 7,28%.
