Após abrir estável e marcar máxima em 209.071,98 pontos, o Ibovespa passou a cair e renovou mínimas, perdendo cerca de 2.900 pontos. O recuo é atribuído à cautela doméstica e externa, o que instiga ajuste parcial após a valorização de 8,82% na semana passada. O Ibovespa caiu 1,04%, aos 206.887,52 pontos.
O recuo é atribuído por analistas à cautela no mercado doméstico e no exterior. No Brasil, o foco é a disputa acirrada para a Presidência da República e, lá fora, a tensão geopolítica dos EUA com o Irã segue no radar.
“A pressão veio da volta do feriado, da nova rodada de pesquisas eleitorais para o segundo turno e da cautela com o cenário externo, especialmente o comportamento do petróleo”, aponta Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.
Para Araújo, a leitura inicial sugere que o mercado está ajustando posições depois de um ganho expressivo. Além disso, ressalta, o movimento do dólar reforça que a pressão sobre o real tem origem principalmente em fatores domésticos, vinda das pesquisas eleitorais, discussão da PEC do fim da escala 6×1 e incertezas fiscais.
Paralelamente, o avanço na estimativa para a inflação deste ano no boletim Focus reforça o ambiente parcimonioso, apesar do arrefecimento na expectativa para a taxa Selic deste ano. Desta forma, os juros futuros e o dólar em relação ao real sobem.
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Outro ponto de atenção deve ser o cenário fiscal. Nesta terça-feira, o governo federal anunciou mais uma etapa do Desenrola MEI, programa para renegociar dívidas de Microempreendedores Individuais (MEIs).
E ainda, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para amanhã a votação em primeiro turno da PEC 221, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Segundo Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, a votação pode influenciar as pesquisas eleitorais. “O mercado ficará atento ao desfecho. É um processo que pode afetar a corrida presidencial”, diz.
Divulgado hoje, levantamento BTG/Nexus mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%, em empate técnico. Também saiu pesquisa PoderData/Aya, que traz o senador do PL com 51% dos votos válidos no segundo turno e o petista com 49%.
Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de 1,8 ponto porcentual, para mais ou para menos. Na rodada anterior, publicada em 8 de outubro, Flávio tinha 53% e Lula, 47%.
“A correção com queda do mercado pode refletir uma revisão do excesso de confiança dos investidores, mesmo sem uma mudança clara nas intenções de voto. A expectativa de ajuste fiscal continua relevante, mas depende do resultado eleitoral e da capacidade de aprovar medidas no Congresso”, aponta Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.
A Quaest divulga resultados amanhã. Datafolha, Atlas e Instituto Indexa publicam na quinta-feira.
Ainda fica no foco o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que reúne-se às 15h30 com coordenadores das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, em meio a disputas judiciais sobre conteúdos eleitorais. Ainda, nesta semana, sairão vendas do varejo e IBC-Br de agosto.
Quanto ao Focus, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu pela quarta semana consecutiva, de 5,01% para 5,22%. A estimativa intermediária para o IPCA de 2027 ficou em 4,30%. A mediana para 2028 oscilou de 3,80% para 3,79%. Para 2029, passou de 3,51% para 3,50%.
Já a estimativa mediana para a taxa Selic no fim de 2026 diminuiu de 13,50% para 13,25%. A projeção para o fim de 2027 ficou em 12,00%.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos, encerrando a semana com valorização de 8,82% e na máxima histórica.
No exterior, em ajuste técnico, após recuar cerca de 2% mais cedo, o petróleo reduziu o ritmo. Ainda assim, ações da Petrobras (PETR3;PETR4) subiram. Já as da Vale (VALE3) caíram, em meio à desvalorização de 1,1% do minério de ferro, em Dalian, na China.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
