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Como células de defesa encontram seu caminho pelo corpo? Estudo revela mecanismo

Experimentos com embriões de rã mostram que células imunes percebem o deslocamento dos tecidos e ajustam sua direção para se espalhar pelo corpo

Exame · há cerca de 5 horas

Como células de defesa encontram seu caminho pelo corpo? Estudo revela mecanismo

Experimentos com embriões de rã mostram que células imunes percebem o deslocamento dos tecidos e ajustam sua direção para se espalhar pelo corpo

Células de defesa: pesquisadores acompanharam seu deslocamento em embriões de rã (Hoang Anh Le/UCL)

Publicado em 11 de outubro de 2026 às 22h42.

Antes mesmo de o organismo estar completamente formado, células de defesa precisam encontrar o caminho para diferentes regiões do corpo. Cientistas descobriram que parte dessa orientação pode vir do próprio movimento dos tecidos durante o desenvolvimento do embrião.

O mecanismo foi observado por pesquisadores do University College London (UCL), no Reino Unido, em embriões da rã Xenopus laevis. Os resultados foram divulgados pela revista científica Nature Cell Biology.

As células imunes perceberam o deslocamento da pele em formação e ajustaram sua trajetória para acompanhá-lo. Quando o crescimento do tecido foi dificultado, elas passaram a andar de forma mais desorganizada. Em outro experimento, quando o desenvolvimento do embrião foi interrompido fisicamente, as células chegaram a ficar imóveis.

Como as células de defesa encontram o caminho?

Para entender o comportamento, os pesquisadores acompanharam ao microscópio células imunes presentes em fragmentos de tecido embrionário. Quando estavam cercadas por outras células, elas assumiam formato alongado e avançavam em trajetórias mais retas. Isoladas, ficavam arredondadas e se deslocavam sem uma direção definida.

A equipe primeiro investigou se a pressão exercida pelas células vizinhas explicaria a diferença. Ao comprimir as células isoladas, elas ficaram mais rápidas, mas continuaram se movimentando de maneira desorganizada.

Os cientistas também interferiram nos sinais químicos que normalmente orientam células imunes. Mesmo assim, elas não perderam significativamente a direção. O comportamento mudou quando o movimento do próprio tecido foi alterado.

De acordo com a pesquisa, as imagens revelaram que as células de defesa acompanhavam a direção das células vizinhas com cerca de cinco minutos de atraso. O fluxo indicava o caminho, mas não determinava sua velocidade.

Luz fez células mudarem de direção

Para verificar se as células realmente respondiam ao movimento ao redor, os pesquisadores criaram uma maneira de controlar o tecido usando luz.

Uma proteína sensível ao estímulo luminoso fazia as células da camada externa se contraírem. Isso provocava um deslocamento semelhante ao observado durante o crescimento natural da pele.

Quando um ponto próximo a uma célula imune era iluminado, o prolongamento usado por ela para avançar mudava de posição e passava a apontar naquela direção. Em alguns casos, aplicar o estímulo atrás da célula foi suficiente para fazê-la dar meia-volta.

Diante disso, o resultado indicou que as células não estavam simplesmente sendo arrastadas pelo tecido. Elas percebiam seu movimento e reorganizavam o próprio corpo para segui-lo.

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Embriões pararam de crescer

A relação ficou ainda mais evidente quando os pesquisadores interferiram no desenvolvimento dos animais. Embriões cujo alongamento foi bloqueado por uma alteração genética ficaram menores e apresentaram menos células de defesa espalhadas. Quanto menor o embrião, menos células haviam alcançado regiões distantes.

Em outro experimento, os animais foram colocados dentro de moldes que limitavam seu crescimento. No início, as células imunes se deslocaram normalmente. Quando o corpo encostou na parede e o tecido deixou de avançar, elas recolheram seus prolongamentos e ficaram imóveis.

Após a retirada dos moldes, os embriões voltaram a crescer e as células retomaram o movimento. Isso não significa que as células sejam incapazes de andar sozinhas. Segundo os autores, o fluxo do tecido funciona como uma orientação adicional e torna sua dispersão pelo organismo mais eficiente.

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Como as células percebem o tecido?

Uma das hipóteses para explicar como as células percebem o movimento do tecido envolve o atrito entre as superfícies celulares. Essa força poderia modificar seu esqueleto interno e influenciar os prolongamentos utilizados para avançar.

Outra possibilidade é a existência de moléculas capazes de detectar a força exercida pelo tecido em movimento. A equipe ainda não identificou quais seriam essas moléculas. Segundo Hoang Anh Le, primeiro autor do estudo, sinais químicos e mecânicos provavelmente atuam juntos na orientação das células.

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Mecanismo pode ir além dos embriões de rã

Os pesquisadores encontraram indícios de comportamentos semelhantes em outros contextos. Durante o desenvolvimento de camundongos, há evidências de que melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele, percebem o movimento das células vizinhas.

No olho do peixe-zebra, um tipo de célula nervosa também depende do deslocamento do tecido ao redor. Os pesquisadores consideram possível que um mecanismo semelhante exista em humanos, mas isso ainda não foi demonstrado.

A partir disso, a equipe pretende investigar ainda se os sinais mecânicos podem influenciar células de defesa durante a cicatrização de feridas.

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Fonte: Exame