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Como as “Midterms” podem influenciar a relação entre Brasil e EUA

Pesquisas indicam que Trump pode perder a maioria republicana no Congresso, em um cenário com potencial para influenciar a relação entre Brasília e Washington The post Como as “Midterms” podem influenciar a relação entre Brasil e EUA appeared first on InfoMoney .

InfoMoney · há cerca de 2 horas

Como as “Midterms” podem influenciar a relação entre Brasil e EUA

O governo Lula (PT) decidiu não reagir à ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos e aguarda o resultado das eleições legislativas americanas de terça-feira (3) para calibrar sua relação com Washington.

Segundo apurou o InfoMoney, a avaliação no Palácio do Planalto é que a votação pode alterar a correlação de forças políticas nos EUA e influenciar o rumo das relações bilaterais. Nesse contexto, Lula pretende deixar as questões envolvendo Flávio sob responsabilidade da Justiça brasileira e evitar uma escalada de tensões com o presidente Donald Trump e com o presidente da Argentina, Javier Milei.

Após ter os passaportes brasileiros cancelados por determinação de Alexandre de Moraes, Flávio cruzou na terça-feira (27) a fronteira com a Argentina usando um passaporte italiano e seguiu para os Estados Unidos. A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída do senador, investigado em dois inquéritos no STF.

Pragmatismo em Brasília

Na quinta-feira (29), Trump afirmou que deseja conversar com Lula, mas voltou a fazer críticas ao processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Até o momento, não há telefonema agendado, nem houve solicitação formal de contato por parte do presidente brasileiro. Integrantes do governo ressaltam que o resultado das eleições brasileiras foi amplamente reconhecido pela comunidade internacional.

O episódio também deve retardar a análise do agrément [aval diplomático para a nomeação de um embaixador] de Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Enquanto isso, o chanceler Mauro Vieira participa nesta sexta-feira (30) e no sábado (31) da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio, um dos principais aliados da família Bolsonaro dentro da administração Trump. Já os chefes de Estado do grupo têm encontro marcado para os dias 14 e 15 de dezembro, no resort Trump National Doral, em Miami.

Tarifas devem escapar da disputa eleitoral

Desde 22 de julho, produtos brasileiros são alvo de uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana, com exceções para café, carne bovina e suco de laranja. Para 85,3% do volume atingido, a nova taxa se soma a outra tarifa de 25% já existente, elevando a carga total para 37,5%.

Os dois governos criaram um grupo de trabalho para tratar do tema, e o Brasil aguarda uma proposta americana nas próximas semanas. Mesmo que os democratas avancem no Congresso, a avaliação em Brasília é que haverá pouca margem para reverter as tarifas no curto prazo. Projetos destinados a limitar o poder presidencial na área comercial dificilmente reuniriam apoio suficiente para superar um eventual veto da Casa Branca.

Em outubro de 2025, cinco senadores republicanos se juntaram aos democratas em uma resolução para revogar tarifas impostas ao Brasil. Naquele caso, porém, a medida estava baseada na Lei de Emergência Econômica, posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA.

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Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington, não espera mudanças significativas na política comercial americana.

“Não acho que a eleição terá efeito direto sobre o Brasil, mas certamente terá impacto na política interna dos Estados Unidos”, afirmou ao InfoMoney. Na avaliação do diplomata, a política tarifária tende a sobreviver ao próprio Trump porque reflete interesses econômicos considerados estratégicos pelos EUA.

Já o historiador James Green, da Universidade Brown e diretor do Washington Brazil Office (WBO), vê as tarifas como um instrumento essencialmente político. Ele cita a cobrança de 50% anunciada em 2025, quando Trump vinculou a medida ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificado por ele como uma “caça às bruxas”.

“As tarifas não têm lógica econômica. São instrumentos de pressão política, negociação e retaliação”, afirmou.

Para analistas, o avanço do protecionismo defendido por Trump está ligado à competição estratégica com a China e à tentativa de fortalecer a indústria americana. No caso da relação com o Brasil, porém, os Estados Unidos mantêm superávit histórico. Segundo dados do Bureau of Economic Analysis (BEA), os EUA acumularam saldo positivo de US$ 480 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil entre 2000 e 2025.

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Fonte: InfoMoney