Depois do sucesso de "Se eu fosse você", que vendeu mais de 3,6 milhões de ingressos em 2006, e da sua continuação lançada três anos depois, quando fez mais de 6 milhões de espectadores irem aos cinemas, uma terceira parte era inevitável, mesmo que não tivesse exatamente um bom gancho para continuar a história.
Assim, sete anos depois, chega ao circuito comercial "Se eu fosse você 3", que continua a série de trocas de corpos entre um casal em crise, com consequências inusitadas e divertidas. Só que, dessa vez, há uma pequena, porém importante, mudança no filme que estreia nesta quinta-feira (8): ao invés do fenômeno acontecer com a dupla interpretada por Tony Ramos e Glória Pires, agora a inversão acontece com os personagens de Cleo Pires e Rafael Infante. A troca, embora renda algumas risadas, está longe de obter o resultado satisfatório dos dois filmes anteriores.
Na nova trama, Cláudio (Ramos) e Helena (Pires) estão felizes numa nova fase de suas vidas e se preparando para viajar numa segunda lua de mel. Já Bia (Cleo Pires), a filha do casal, se mudou para Miguel Pereira, no estado do RJ, e vive com a filha (Valentina Daniel) e o novo namorado, Aquiles (Rafael Infante). Só que, após uma discussão, Bia e Aquiles passam pelo mesmo fenômeno dos pais dela e acabam trocando de corpo.
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O problema é que isso acontece justamente quando Bia, uma chef de cozinha exigente, está para ser avaliada por seu trabalho num restaurante, ao mesmo tempo em que Aquiles, um instrutor de esportes radicais, se prepara para uma importante competição física. Sem saber o que fazer para voltarem ao normal, os dois precisam se virar para que ninguém descubra a troca, ao mesmo tempo em que tentam encontrar uma solução para os seus problemas.
"Se eu fosse você 3" é uma continuação típica de franquias que se estendem demais, às vezes além do necessário. Quando isso acontece, invariavelmente, há o episódio que se caracteriza com a típica "passagem de bastão", ou legado, como está mais comum de dizer atualmente. Isso ocorreu em séries famosas de terror, como "Pânico", ou cômicas, como "Ghostbusters", onde há uma mistura de novos personagens com personagens clássicos, fazendo participações especiais.
No caso de "Se eu fosse você", o casal protagonista dos dois primeiros filmes "estende o tapete" para o novo casal poder assumir o comando da terceira parte e continuar a história com eles. Só que tem um pequeno problema: os novos personagens, embora esforçados, não conseguem chegar ao nível dos originais. Tanto na interpretação quanto em fazer rir.
Também não ajuda que a cineasta Anita Barbosa (de "Amor.com"), mesmo após anos como assistente de direção de vários filmes (entre eles, os longas anteriores dessa franquia), não se mostrar como uma boa opção para substituir Daniel Filho (que agora atua como supervisor artístico) como diretora. Falta a ela um pulso mais firme para conduzir a produção e fazer uma boa comédia.
O resultado soa ameno e pouco engraçado, mesmo para uma comédia descompromissada e "família". Isso sem falar em suas escolhas técnicas que deixam o filme mais com cara de programa de TV do que propriamente cinema.
Além disso, o roteiro escrito por Leandro Soares falha em sair do lugar-comum e entregar algo que ainda não foi visto na série e em outros filmes do gênero. Assim, diversos clichês já batidos desfilam pela tela sem nenhuma originalidade e, por causa disso, muitas das piadas soam velhas e ultrapassadas. Mas quem não for muito exigente e só quer esboçar um sorriso, ainda que timidamente, pode até se divertir.
O texto também tem problemas ao apresentar como novidades situações que já aconteceram nos filmes anteriores. Tudo bem que não é para exigir muito, mas pelo menos dava para caprichar um pouco mais no que é apresentado. Ainda mais porque levaram bastante tempo para elaborar essa terceira parte.
Mas nem tudo é problemático em "Se eu fosse você 3". Tony Ramos e Glória Pires voltam a mostrar aquela sintonia incrível que já tinham apresentado nos filmes anteriores (e até em novelas na TV) e, só por eles, vale a pena conferir. Sempre que estão em cena, agora numa função diferente da história, eles conseguem fazer o público se divertir de verdade, como se o tempo não tivesse passado para os dois.
Nessa terceira parte, Ramos faz rir ao se mostrar um homem mais apreensivo com a possibilidade de que a filha agora tenha que passar pelo mesmo problema que ele e a esposa tiveram que lidar no passado. Assim, seus ataques de ansiedade comprovam que o ator é mesmo um craque tanto no humor quanto na comédia.
Já Pires tenta segurar as pontas do marido se passando por uma pessoa mais relaxada, o que gera mais um bom contraste entre o casal. É uma pena, no entanto, que a dupla não apareça tanto quanto deveria, mesmo como coadjuvantes. O filme só ganharia com uma participação maior dos dois.
O que nos leva a Cleo Pires e Rafael Infante. Não que os dois sejam atores ruins, longe disso. O problema é que os dois não conseguem criar nuances para mostrar a mudança de personalidade de seus personagens após a troca de corpos. Logo, não há muitas diferenças entre a atuação dos dois, antes e depois do fenômeno que marca a franquia.
Por causa disso, Cleo, que se destacou em sua carreira com papéis mais dramáticos, demonstra dificuldade em fazer graça e de criar uma persona que seja identificável de seu parceiro de cena. O mesmo problema tem Infante, que mantém suas caras e bocas de Aquiles quando tem que interpretar a Bia transferida para o corpo do namorado. A direção também não ajuda a fazer com que os dois tornem a troca que os personagens sofrem seja aceitável ou mesmo divertida, o que é uma pena.
"Se eu fosse você 3" pode até agradar a quem estava com saudades dos personagens dos longas anteriores e quer voltar a se sentir bem com personagens que aprendeu a conhecer bem desde 2006, quando o primeiro filme foi lançado. Mas os realizadores dessa nova sequência bem que poderiam caprichar um pouco mais justamente por esses fãs da comédia e dos seus atores principais. Do jeito que ficou, só cumpre tabela. Porém, dava para curtir mais.
