Partidos que perderam espaço na última eleição tentam mudar as regras do jogo antes da nova legislatura, mais à direita, assumir o Congresso. José Roberto de Toledo e Thais Bilenky analisam no A Hora, do Canal UOL.
O tema é um dos destaques do episódio desta semana. O podcast de notícias do UOL, com os jornalistas, está disponível nas principais plataformas. Ouça aqui.
Na reta final da atual composição do Congresso, líderes articulam para votar uma proposta que troca o sistema proporcional por um modelo de voto distrital misto. Para Toledo, a mudança mira os chamados "puxadores de voto" e tenta reduzir o efeito eleitoral de figuras com votação massiva.
Essa é uma emenda anti-influencer, anti-Pavanato, anti-Nikolas. No voto distrital misto, não adianta o candidato ter 3 milhões de votos, porque ele não vai eleger mais 9 deputados federais nas sobras que ele teve. José Roberto de Toledo
Toledo explica que, no modelo em discussão, o eleitor passaria a votar duas vezes para deputado federal. Metade das cadeiras seria preenchida por vencedores em distritos eleitorais, com um eleito por distrito.
Já a outra metade viria de uma lista partidária: o voto iria para o partido, federação ou coligação, e a legenda definiria uma ordem de nomes. Na prática, segundo Toledo, isso reduz a força individual de candidatos que hoje "puxam" votos e ajudam a eleger colegas pela soma do partido.
Para ele, o desenho dos distritos vira um ponto sensível porque pode influenciar o resultado. O jornalista cita o termo "gerrymandering", usado nos Estados Unidos para descrever manipulações no mapa eleitoral, e diz que o recorte territorial passa a ser decisivo.
O desenho do mapa é absolutamente fundamental. Gerrymandering é justamente como você manipula o mapa para forjar a eleição de alguém que, teoricamente, não teria votos suficientes para se eleger. Eu traduzi esse termo como salamandragem. José Roberto de Toledo
Toledo afirma que a pressa para votar o tema tem um motivo: partidos do chamado "Arenão" - como PSD, PP e União Brasil - teriam sido os mais prejudicados pelo crescimento de bancadas impulsionadas por figuras com votação expressiva, em especial no PL.
Quem perdeu nessa última eleição precisa frear esse movimento já, enquanto é tempo, para evitar que o processo de consolidação do PL como o maior partido do país avance. É por isso que eu acredito que a proposta vai ser aprovada e vai ter briga, porque o PL obviamente vai ser contra. José Roberto de Toledo
Segundo Toledo, a mudança pode gerar disputa dentro e fora da base do governo, já que também afeta parlamentares de diferentes campos políticos que se beneficiam do modelo atual. Ainda assim, ele avalia que a tendência é de o assunto avançar antes da troca de legislatura.
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