Investigação da PF tem como alvo compra de móveis para casa usada por Wilson Lima
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (20), a Operação Verniz para investigar a origem de R$ 574.526,34 usados na compra de móveis destinados a uma residência ocupada pelo ex-governador do Amazonas Wilson Lima, em Manaus. Os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo entre fevereiro e setembro de 2020, enquanto as notas fiscais foram emitidas em nome de cinco pessoas.
A investigação é um desdobramento da Operação Sangria, iniciada em junho de 2020 para apurar suspeitas de fraude na compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19. Foi durante o cumprimento de mandados relacionados a esse caso que os investigadores identificaram elementos que levaram à apuração dos gastos com a reforma e a decoração do imóvel.
A Operação Verniz buscou esclarecer a origem dos recursos, a participação de pessoas que teriam intermediado as compras e se houve tentativa de ocultar ou dissimular a procedência do dinheiro. Nesta terça-feira, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o arquiteto responsável pela obra.
Veja abaixo a linha do tempo com os principais fatos que ligam Operação Sangria à Operação Verniz
Junho de 2020: Operação Sangria investiga compra de respiradores
A Operação Sangria começou em junho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. A investigação apurou suspeitas de irregularidades na compra de 28 respiradores destinados ao hospital de campanha Nilton Lins, em Manaus.
O governo do Amazonas comprou os equipamentos sem licitação, por meio de uma empresa que atuava no comércio de vinhos. Segundo as apurações, a operação envolveu uma empresa de equipamentos hospitalares e uma adega.
A fornecedora vendeu os respiradores à loja por R$ 2,48 milhões. No mesmo dia, a adega revendeu os aparelhos ao governo estadual por R$ 2,97 milhões.
A investigação também apontou suspeitas de superfaturamento e questionamentos sobre a adequação dos equipamentos para o atendimento de pacientes em unidades de terapia intensiva (UTIs).
Junho de 2020: PF faz buscas na casa de Wilson Lima
Na primeira fase da Operação Sangria, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Wilson Lima, na sede do governo estadual e na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).
Na casa do então governador, os policiais apreenderam computadores, documentos e R$ 13 mil em dinheiro.
Durante as diligências relacionadas à compra dos respiradores, o padrão das benfeitorias no imóvel ocupado por Wilson Lima e pela então primeira-dama chamou a atenção dos investigadores, segundo informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim e confirmadas pelo g1 em 2022.
A partir das suspeitas identificadas durante essa etapa, as apurações avançaram sobre os gastos com a reforma e a compra de móveis e itens de decoração.
A investigação sobre a compra de respiradores também avançou na Justiça. Em setembro de 2021, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu, por unanimidade, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Wilson Lima e outros 12 investigados.
Governador Wilson Lima é alvo de operação da PF
Outubro de 2026: Operação Verniz investiga suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal deflagrou a Operação Verniz nesta terça-feira (20) para aprofundar a investigação sobre os pagamentos feitos pela compra do mobiliário.
A Justiça autorizou um mandado de busca e apreensão contra o arquiteto responsável pela obra. A medida busca reunir documentos e outros elementos que ajudem a esclarecer a origem dos recursos e a participação dos envolvidos nas transações.
A investigação apura possíveis práticas de lavagem de dinheiro, além de atos de ocultação ou dissimulação da origem, da movimentação e da destinação dos valores.
A PF ainda precisa esclarecer a procedência dos R$ 574 mil e se houve uso de terceiros para esconder os responsáveis pelas compras. As suspeitas investigadas não equivalem à comprovação de crime.
O que diz a defesa de Wilson Lima
Em nota sobre a Operação Verniz, a defesa de Wilson Lima afirmou que o ex-governador não foi alvo de buscas recentes e declarou desconhecer qualquer ação contra ele. Também disse estar à disposição das autoridades.
Em manifestações anteriores sobre as apurações envolvendo a reforma do imóvel, as defesas do ex-governador e da ex-primeira-dama negaram irregularidades e repudiaram acusações que consideraram desprovidas de comprovação.
