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Corpos encontrados no Haiti podem ser de soldados de El Salvador, diz jornal

Quatro corpos que se acredita serem de soldados de El Salvador desaparecidos após serem enviados ao Haiti em uma missão internacional de combate às gangues foram encontrados neste sábado (24), segundo duas pessoas próximas à missão. Leia mais (10/25/2026 - 04h00)

Folha · há cerca de 2 horas

Corpos encontrados no Haiti podem ser de soldados de El Salvador, diz jornal

Quatro corpos que se acredita serem de soldados de El Salvador desaparecidos após serem enviados ao Haiti em uma missão internacional de combate às gangues foram encontrados neste sábado (24), segundo duas pessoas próximas à missão.

Os quatro salvadorenhos haviam sido enviados como parte de uma unidade de helicópteros designada para a Força de Repressão às Gangues, uma missão apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para combater as gangues do Haiti.

Foi a primeira vez que a força sofreu baixas fatais. O episódio ameaçava intensificar drasticamente a violência, à medida que mais tropas eram enviadas para encontrá-los.

A descoberta ocorre poucos dias depois de o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviar centenas de integrantes das forças especiais ao Haiti para tentar resgatar os homens. Bukele havia ameaçado acabar de vez com as gangues caso eles não fossem devolvidos com vida.

Os corpos foram localizados sete dias depois de os homens terem sido emboscados enquanto passavam de carro por um reduto de gangues, disse Scott Reece, ex-funcionário de segurança do Departamento de Estado cuja organização de ajuda humanitária foi contratada para resgatar os mortos.

O grupo humanitário local de Reece, o Hero Client Rescue, um serviço de ajuda médica financiado pelos Estados Unidos e sediado no Haiti, foi chamado para recolher os restos mortais na tarde deste sábado.

Outra pessoa a par do caso, mas não autorizada a falar publicamente, ressaltou que a Força de Repressão às Gangues mantinha os quatro corpos, mas alertou que eles estavam gravemente queimados e que seriam necessárias autópsias para confirmar as identidades.

Os corpos foram recolhidos em um local não revelado nos arredores da capital, Porto Príncipe, e levados ao aeroporto internacional para serem entregues a uma equipe militar salvadorenha que chegou ao Haiti na sexta-feira, disse Reece.

"Fomos chamados, como uma equipe médica humanitária neutra, para recolher os corpos", afirmou.

Há vários anos, gangues vêm espalhando o caos no Haiti, tomando bairros inteiros e matando milhares de pessoas. Mais de 1,5 milhão de pessoas tiveram de abandonar suas casas.

Os salvadorenhos trafegavam pela região de Croix-des-Bouquets, perto de Porto Príncipe, em um utilitário esportivo blindado, no último domingo (18), quando foram alvo de tiros e tiveram de abandonar o veículo, que mais tarde foi encontrado incendiado. Os homens voltavam de uma ida a um supermercado e atravessavam uma área tão perigosa que, em geral, é considerada proibida para estrangeiros.

A imprensa local informou que os salvadorenhos foram mortos e, em seguida, queimados por integrantes das gangues Chen Mechan e 400 Mawozo, que atuam naquela região, na periferia norte da capital.

Os homens eram técnicos de aviação responsáveis pelo transporte e pelas evacuações médicas da Força de Repressão às Gangues (GSF, na sigla em inglês).

O contingente salvadorenho é formado por pilotos e pessoal técnico cujas principais funções são realizar evacuações médicas e salvar vidas, "não fazer guerra", afirmou Bukele na quarta-feira (21), em uma publicação nas redes sociais.

Depois que outra missão policial internacional fracassou em conter a violência, a nova força de combate às gangues chegou ao Haiti em abril. A missão tem enfrentado dificuldades para atingir o contingente total previsto de 5.500 integrantes. Atualmente, conta com pouco mais de 2.000 militares no Haiti, provenientes da Jamaica, do Chade, da Mongólia, de El Salvador, do Sri Lanka e da Guatemala.

Um porta-voz da Força de Repressão às Gangues não pôde ser contatado de imediato para comentar o caso na noite deste sábado. Uma porta-voz de Bukele e dois assessores de imprensa das Forças Armadas salvadorenhas não responderam a um pedido de comentário.

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Fonte: Folha