A campanha do presidente Lula pediu nesta quarta-feira (21) à Justiça Eleitoral que anule a candidatura de seu adversário, Flávio Bolsonaro, por suposta "interferência" da gigante de tecnologia Meta às vésperas do segundo turno de domingo (25).
Após a vitória do senador no primeiro turno, com 47% dos votos contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva, os dois candidatos aparecem agora em empate técnico nas pesquisas.
O recurso apresentado pela campanha de Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusa Bolsonaro de "abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social". E pede a cassação de sua candidatura porque ele estaria se beneficiando de uma "manipulação algorítmica" da Meta contra a campanha do atual presidente.
Embora a empresa negue as acusações, reconheceu falhas atribuídas a "problemas técnicos" que, segundo ela, não teriam afetado apenas o Brasil.
"Não é só um problema de transparência, mas também de diligência, ou seja, da capacidade de resolver rapidamente os problemas que aparecem", disse à AFP João Brant, assessor de estratégia digital da campanha de Lula. Ele afirmou que há preocupação entre os aliados do presidente com um "alinhamento evidente entre a Meta e o governo americano".
Lula tem denunciado em várias ocasiões que Washington tenta interferir em favor do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), aliado de Donald Trump.
A Meta afirma cumprir as determinações do TSE para garantir igualdade na distribuição de conteúdo das duas campanhas.
Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU instou nesta quarta-feira a Meta a "proteger a expressão política" no Brasil e avaliar se agiu de forma "desproporcional" contra um candidato, sem mencionar qual.
Lula e Flávio têm, respectivamente, 44% e 45% das intenções de voto no segundo turno, de acordo com pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto Quaest. O levantamento mostra que o número de eleitores indecisos aumentou consideravelmente após o debate televisivo realizado no domingo pela Band.